O DIA EM QUE MORRI
Querido leitor, não que antes eu não tenha morrido em outros momentos, mas dessa vez foi uma morte fria e rápida. Pra ser bem sincera, sabemos que morremos todos os dias, até porque nossas células envelhecem constantemente e nem todas elas se refazem. Voltando ao dia, as ações se deram normais durante toda correria diária, busca filha, aulas particulares, até que uma das ações que já fazia todos os dias me veio a mente, precisava consultar a minha matrícula no espanhol que tanto almejei passar na prova, vale salientar que nos últimos tempos foi a alegria que tive. Na varanda da casa dos meus pais, abri o notebook e acessei o link do concurso, simplesmente vi o vazio, CONCURSO CONCLUÍDO, e a minha matrícula cadê. Em meio a toda correria de hospital do último mês, 15 anos da garotinha, eu me esqueci de mim. Pode parecer bobagem, -Ah você faz a prova novamente e passa, foi o que ouvi de uma amiga, como se fosse algo simples no momento em que estou. Mas a notícia caiu como uma bomba sobre os meus ombros que já
estão extremamente cansados. Eu me afundei em mim mesma, só repetia, eu não acredito, eu não
acredito. Chorei como se o mundo tivesse acabado, como se amanhã não fosse acordar
e ter que encarar a vida. Sem emprego fixo, sem receber seguro desemprego, sem a única
coisa que tinha me deixado orgulhosa de mim mesma nos últimos meses. Lidando com
uma menopausa e seus sintomas, sem um namorado, não que eu precise mas seria
bom alguém para compartilhar o dia a dia. Eu tava na ... , o que tem de bom se
nem minha saúde mental está em dia. Continuo a dizer, parece bobagem, mas
quando você está em um turbilhão de emoções, a bobagem para os outros pode ser
o seu fundo do poço. Esse foi o dia em que morri mais uma vez durante minha vida medíocre.

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